A Confissão de Ló

novembro 3, 2026

A confissão de Ló (Gênesis 12-18)

 

Ariovaldo Ramos

 

Tio Abrão chegou esbaforido no clã…

Disse que o Deus falou para ele deixar o clã e ir para um lugar onde o Deus o levaria.

A gente nunca tinha ouvido de um Deus que fala!

Todos os nossos ídolos eram mudos.

 

Terá, meu avô, decidiu que iríamos com o tio Abrão…

Que seguiríamos ao Deus que fala!

Obedecemos. Saímos de Ur. Mas o meu vô estava muito velho…

Tivemos de parar em Harã, onde meu vô morreu, depois de algum tempo.

 

O Deus falou de novo com o tio Abrão, e repetiu a ordem dada em Ur…

O tio Naor não quis continuar seguindo o Deus que fala.

Meu pai, Harã, já havia morrido em Ur, terra dos Caldeus.

Eu escolhi seguir o tio Abrão, indo onde o Deus que fala o levasse.

 

Rapidamente chegamos ao carvalho de Moré, terra dos Cananeus…

Ali, no vale, o Deus que fala apareceu ao meu tio!

O Deus falou que daria ao meu tio e à sua descendência toda aquela terra.

Meu tio ergueu um altar ao Deus que fala e que aparece pessoalmente!

 

Aí, tio Abrão decidiu ir para o monte (mais seguro) ao oriente de Betel.

Ele construiu um altar ao Deus que fala e aparece, mas o Deus não veio.

Parece que meu tio entendeu que bastava construir um altar e chamar pelo Deus…

Mas o Deus não falou e nem veio, e meu tio começou a descer para o sul.

 

Eu estava sempre com o meu tio, agora eu era do seu clã.

Havia muita fome na terra do Neguebe, extremo sul…

Meu tio decidiu entrar no Egito para ficar… por causa da fome.

Saímos da terra para onde o Deus que fala nos havia levado!

 

Perto do Egito, meu tio chamou a tia Sarai…

A tia Sarai, apesar da idade, possuía uma beleza impressionante!

O tio pediu para que, no Egito, ela dissesse que ela era irmã dele…

Tio Abrão tinha medo dos egípcios o matarem para terem a tia.

 

E aconteceu… os egípcios viram a tia Sarai, sobremaneira formosa!

Levaram-na, com o consentimento do tio, para a casa do Faraó…

O Faraó, por causa da Tia, enriqueceu muito o nosso clã!

Mas o Deus que fala, interveio e puniu a casa de Faraó com grandes pragas!

 

O Deus que fala, de alguma forma falou ao Faraó e honrou a tia Sarai…

O Faraó ficou indignado com o tio Abrão, chamou-o de mentiroso e amaldiçoador!

O Faraó nos expulsou mas não tirou nada do que nos tinha dado…

Fomos escoltados para fora do Egito.

 

Estávamos muito ricos, e o tio Abrão nos levou do Neguebe para  Betel…

Mas havia alguma maldição naquela riqueza toda… 

A gente não conseguiu ficar juntos, o clã se dividiu entre mim e o meu tio.

Tio Abrão decidiu que eu deveria ir embora, sem briga, e deixou eu escolher…

 

Eu vi toda a campina do Jordão que era maravilhosa, parecia o jardim do Senhor!

Encantado pelo que vi, escolhi ir para lá, e parti para o Oriente.

Migrando de pasto em pasto fui me aproximando da região de Sodoma e Gomorra!

Estas cidades eram conhecidas por sua devassidão e crueldade para com os pobres.

 

Aconteceu que quatro reis, herdeiros do império de Ninrode, formaram uma coalizão…

Era a grande potência da região, as terras de Sodoma e de Gomorra eram seus quintais…

Serviram a Quedorlaomer, o rei maior da coalizão, por doze anos, mas se rebelaram…

Quedorlaomer e seus aliados devastaram toda a região e me levaram prisioneiro.

 

Contaram para o meu tio sobre o que aconteceu comigo…

Meu tio juntou 318 homens, perseguiu as tropas dos 4 reis da coalizão e os derrotou!

Miraculoso! Certamente foi o poder do Deus que fala!

Meu tio me salvou, não ficou com os despojos e deu dízimo ao rei Melquisedeque!

 

O rei Melquisedeque era um ser misterioso…

Ninguém sabia a sua origem… Ele era o rei de Salém!

Ele veio ao meu tio, trouxe pão e vinho e abençoou o meu tio.

Ele era misterioso… nada me tira da cabeça que ele era aparecimento do Deus que fala.

 

Eu estava salvo porque o meu tio se importava comigo, e me tratou como parte do clã.

Mas por motivos que não sei explicar eu decidi voltar para Sodoma…

Eu deveria ter ficado com meu tio…Pior, eu decidi morar na cidade!

E fui com a minha família para o meio da devassidão e da crueldade!

 

Eu prosperei na cidade, até me tornei juiz… mas eles não ouviam nada do que eu dizia!

Um dia dois mensageiros do Deus que fala me procuraram em casa…

Eles disseram que iam destruir toda a região por causa da crueldade para com os pobres.

A crueldade os levara à devassidão. E que eu tinha de partir com os meus!

 

O Deus que fala ouviu o grito dos miseráveis e desceu e falou com o meu tio…

E eles disseram que o meu tio intercedeu por mim!

Eu acolhi os mensageiros; os homens de Sodoma queriam usar os mensageiros.

Ofereci minhas filhas, mas o mensageiros me puxaram para dentro de casa!

 

Os mensageiros, simplesmente, fizeram todos os de Sodoma ficarem cegos!

A cegueira que antes era ética e moral, agora, também, era física… 

Eles nos puseram para fora: eu, minha mulher e filhas… os genros não quiseram ir.

Minha mulher, no meio do caminho para Zoar, olhou para trás, o que não podia.

 

Minha mulher virou uma estátua de sal… morreu assim!

Minhas filhas e eu chegamos a Zoar, que foi poupada da destruição por isso.

Zoar era tão devassa e cruel quanto, mas eu fiquei ali…

Minhas filhas me embriagaram, cometeram incesto, e a devassidão me alcançou!

 

Eu não fiquei com o meu tio…

Não atinei para o fato de que não se deve aproximar de quem provoca o juízo divino…

Não me dei conta de que quem é injusto cai na devassidão e provoca destruição geral…

Eu tinha fé, mas acabei ficando espiritualmente cego!

 

Quem tem ouvidos para ouvir ouça!